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Edicão n° 221 de Novembro de 2021


Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer raro e que tem cura
17/10/2021

Linfoma menos frequente do que outros tipos, o linfoma de Hodgkin tem incidência de três
casos por 100 mil habitantes no Brasil, por ano, disse hoje à Agência Brasil o chefe do
Serviço de Hematologia do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca),
Ricardo Bigni.

Em um recorte geográfico, as regiões que concentram mais casos são a Sudeste e Sul,
seguidas das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Referência no estado no tratamento
desse câncer, o Inca atende anualmente cerca de 70 pacientes com linfoma de Hodgkin.

Dois casos recentes com esse diagnóstico foram os do comentarista esportivo Caio Ribeiro e
do jogador de futebol David Brooks, do Bournemouth, da Inglaterra. De acordo com
estimativa do Inca, em 2020, foram registrados 2.640 novos casos no país, sendo 1.590 em
homens e 1.050 em mulheres.

O linfoma de Hodgkin é um câncer que se origina no sistema linfático, que é uma parte do
sistema imunológico, de defesa do organismo. “É um dos tipos de câncer que tem cura",
disse Bigni ao destacar que o diagnóstico precoce favorece a chance de cura já que esse tipo
de linfoma tem evolução ao longo de meses. “Faz diferença se você puder fazer a detecção
mais precocemente. A chance de se obter a cura é maior”.

O tratamento exige quimioterapia intravenosa. A radioterapia também pode ser prescrita pelo
médico, em casos específicos, para potencializar os efeitos da quimioterapia. “Em geral, é
feita uma complementação, para determinados tipos de casos”. Alguns pacientes precisam
fazer uso de medicamentos orais de suporte.

“A gente consegue minimizar a intensidade do tratamento de acordo com o estágio da
doença”, afirmou Bigni. Em pacientes com a doença em estágio mais avançado, o tratamento
dura, em média, seis meses. Em casos mais precoces, a cura pode ser obtida em prazos mais
curtos, “de acordo com o caso”.

Em geral, os tumores do linfoma de Hodgkin se manifestam no pescoço e no tórax. Em
estágios avançados, pode haver manifestações no abdômen e na medula óssea. O linfoma
acomete principalmente adolescentes e adultos jovens, mas também pode ocorrer em idosos.

Sintomas
Médico há 20 anos do Serviço de Hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Roberto Magalhães informou à Agência Brasil que o linfoma de Hodgkin provém, de
maneira geral, dos gânglios linfáticos.

O sintoma principal que costuma aparecer é uma íngua, ou caroço, isto é, um aumento de
um linfonodo, na linguagem médica. "Ele pode emergir em qualquer região dos nossos
gânglios. Portanto, pode aparecer na região do pescoço, das axilas, na região inguinal e até
nos órgãos linfoides que estão no nosso tórax e nosso abdômen”.

Outros sintomas, chamados na terminologia médica de sintomas B, podem surgir associados
ao tumor. Um deles é a perda de pelo menos 10% do peso em seis meses, de maneira
inexplicada. “Essa perda de peso é algo significativo. É estranho e tem de ser investigada”.
Outros sintomas incluem febre vespertina persistente, mas sem outros sintomas gripais;
sudorese noturna que, eventualmente, leva a pessoa a trocar a roupa da cama e coceira no
corpo.

Diagnóstico
O diagnóstico da doença requer o conceito da multidisciplinaridade. Caso apareça um nódulo
suspeito, é preciso fazer uma biópsia. Um patologista especialista em hematologia é
responsável pelo diagnóstico e, em se confirmando que se trata de um linfoma de Hodgkin, o
paciente é encaminhado a um hematologista para iniciar o tratamento.

Cabe ao hematologista verificar o estágio ou grau de acometimento da doença. “A doença
pode ser altamente localizada; pode pegar só uma região de linfonodos, por exemplo em
cima do tórax ou embaixo do abdômen; pode ser uma doença que esteja em cima do tórax
ou do abdômen; e, além disso, pode envolver algum órgão que está fora dos linfonodos,
como o baço ou fígado. Tudo isso é muito importante na fase inicial”.

Para fazer essa avaliação, o hematologista usa as técnicas de imagem, a cargo de um
radiologista que pode fazer uma tomografia para saber que órgãos foram acometidos.
“Eventualmente, é necessário incluir também a biópsia da medula óssea porque, às vezes, a
medula óssea, que é o local onde se produz o sangue, pode estar acometida”, explica
Roberto Magalhães.

Desafios
O médico hematologista da UFRJ explica que após o tratamento ainda é preciso acompanhar
a evolução do paciente. “A gente só diz que o paciente está curado, em hemoterapia, quando
ele ficar cinco anos em remissão completa”.

Durante esses cinco anos, o paciente dever fazer exames de imagem a cada seis meses nos
primeiros dois anos, passando depois disso para exames anuais. Caso a doença volte,
Roberto Magalhães informou que há opção ainda de tratá-la com transplante autólogo de
medula óssea. “Há taxas de curabilidade em pelo menos 50% dos casos”.

O hematologista admitiu que há desafios para o tratamento na área de remédios antigos que
estão desaparecendo das prateleiras, o que pode prejudicar muito os pacientes do SUS que
não têm recursos para ter acesso a remédios mais modernos e sofisticados que estão
surgindo.

Magalhães informa ainda que não há estudos que comprovem o que provoca o surgimento
desses tumores linfoides e linfomas. “Não existe uma causa específica. São fatores genéticos
e ambientais a que as pessoas se expõem que podem gerar isso, mas não existe uma regra”.

Estudos mostram a associação do linfoma de Hodgkin com o vírus da mononucleose, mas
isso não quer dizer que todo mundo que teve mononucleose vai ter o linfoma, salientou
Magalhães. “São diversos fatores. A gênese do linfoma é multifatorial"

Fonte: Agência Brasil






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