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Edicão n° 220 de Outubro 2021


Copom eleva juros básicos da economia para 5,25% ao ano
04/08/2021

Em meio ao aumento da inflação de alimentos, combustíveis e energia, o Banco Central
(BC) apertou ainda mais os cintos na política monetária. Por unanimidade, o Comitê de
Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, juros básicos da economia, de 4,25%
para 5,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Esse foi o quarto reajuste consecutivo na taxa Selic, mas o ritmo do ajuste aumentou.
Nas últimas três reuniões, o Copom tinha elevado a taxa em 0,75 ponto percentual em
cada encontro. Com covid-19 detectada em teste na semana passada, o diretor de
Política Monetária do BC, Bruno Serra Fernandes, não participou da reunião presencial.

Em comunicado, o Copom informou que, na próxima reunião, em 21 e 22 de setembro,
também pretende elevar a Selic em 1 ponto percentual. O órgão pediu a continuidade
das reformas econômicas estruturais e advertiu para o risco da aprovação de medidas
que elevem os gastos públicos permanentemente.

“O Copom reitera que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na
economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O
comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e
alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem
elevar a taxa de juros estrutural da economia”, destacou o texto.

Com a decisão de hoje (4), a Selic continua num ciclo de alta, depois de passar seis
anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em
14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia
até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018. Em julho de 2019, a Selic
voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela
contração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Esse era o menor nível da série
histórica iniciada em 1986.

Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação
oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em junho, o
indicador fechou no maior nível para o mês desde 2018 e acumula 8,35% em 12 meses,
pressionado pelo dólar e pela alta da energia elétrica.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário
Nacional (CMN) tinha fixado meta de inflação de 3,75%, com margem de tolerância de
1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5,25% neste ano nem ficar
abaixo de 2,25%.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade
monetária estimava que, em 2021, o IPCA fecharia o ano em 5,82% no cenário base.
Mesmo com uma queda nos índices no segundo semestre, esse cenário considera o
estouro do teto da meta de inflação em 2021.

A projeção está abaixo das previsões do mercado. De acordo com o boletim Focus,
pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial
deverá fechar o ano em 6,79%. A projeção oficial só será atualizada no próximo
Relatório de Inflação, no fim de setembro.

Crédito mais caro
A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores
encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas
mais altas dificultam a recuperação da economia. No último Relatório de Inflação, o
Banco Central projetava crescimento de 4,6% para a economia em 2021.

O mercado projeta crescimento maior. Segundo a última edição do boletim Focus, os
analistas econômicos preveem expansão de 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma
dos bens e serviços produzidos pelo país) neste ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial
de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da
economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que
pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a
poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o
consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade
monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco
de subir.






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