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Edicão n° 214 de Abril de 2021


Governo suspende cogestão e coloca todo o RS em bandeira preta a partir de sábado para conter avanço da pandemia
25/02/2021

Diante do crescimento exponencial de contágio de coronavírus e do pico de internações
em leitos hospitalares desde o início da pandemia, o que já levou ao esgotamento de
UTIs em algumas regiões, o governo do Estado decidiu, nesta quinta-feira (25/2),
ampliar as restrições para preservar vidas.

A principal medida anunciada pelo governador Eduardo Leite é a suspensão temporária
do sistema de cogestão regional, o que obrigará os municípios a adotar os protocolos da
bandeira apontada pelo Distanciamento Controlado a partir de sábado (27/2). Além
disso, a vigência do mapa da 43ª rodada será antecipada para sábado, colocando todo o
Rio Grande do Sul em bandeira preta, nível mais grave do sistema gaúcho de
enfrentamento à pandemia.

“Tivemos um crescimento muito forte e sem precedentes nas internações em leitos
clínicos e de UTI, por isso, é tão importante que alinhemos medidas mais restritivas, e
precisamos dos prefeitos agora. Não dá para pagar para ver a partir das medidas já
adotadas essa semana. Elas foram importantes, sem dúvida nenhuma, mas precisamos
avançar na direção de uma efetiva conscientização coletiva de que não estamos dentro
da normalidade. E para dar esse golpe na taxa de contágio, precisamos ser mais
restritivos desde já”, anunciou o governador durante reunião com prefeitos
representantes das 27 associações regionais de municípios.

A decisão pela bandeira preta, que representa risco altíssimo para velocidade de
propagação do vírus e esgotamento da capacidade hospitalar, em todas as regiões do
Estado é baseada em uma nova salvaguarda devido ao nível crítico de leitos livres e do
elevado crescimento na ocupação hospitalar. A nova regra impõe garantia de bandeira
preta às 21 regiões quando a razão de leitos livres de UTI sobre leitos ocupados por
Covid em UTI estiver menor ou igual a 0,35 a nível estadual.

Conforme o Gabinete de Crise, o ajuste no modelo é necessário, pois, quando a
capacidade hospitalar está próxima do limite, alguns dados podem sofrer atrasos de
preenchimento devido à sobrecarga das equipes e, além disso, os indicadores de
“velocidade do avanço” e de “variação da capacidade de atendimento” se tornam
prejudicados – uma vez que, mesmo havendo demanda por leitos, podem não ser
preenchidos devido à lotação das áreas Covid dos hospitais. Esse aprimoramento visa
melhor refletir e evitar o esgotamento de leitos.

Na situação atual, o Estado se encontra próximo de 0,23, sendo que aproximadamente
para cada leito livre há quatro leitos ocupados por pacientes confirmados para Covid-19
em terapia intensiva (UTI).

“Não faz sentido que não seja assim, na medida em que todo o sistema hospitalar do
Estado está submetido ao mesmo mecanismo de regulação hospitalar. O colapso de uma
região, consequentemente, vai significar demanda para outra região e, assim, todas
estarão fragilizadas. Mesmo que uma região esteja com menor possibilidade de
contágio, qualquer contágio que ocorra encontrará o sistema comprometido. É hora de
todo o Estado seguir o mesmo protocolo, em um mesmo sentido”, afirmou Leite em
transmissão ao vivo nesta tarde.

Seguindo o princípio da transparência que norteia todas as decisões do governo,
intensificada durante a pandemia para que toda a população entenda a gravidade da
situação, o mapa da 43ª será rodado nesta sexta-feira (26/2), com a respectiva
divulgação dos indicadores. No entanto, devido ao agravamento da pandemia e da baixa
capacidade de atendimento hospitalar, as 21 regiões e seus 497 municípios deverão
seguir os protocolos de bandeira preta a partir de sábado até, pelo menos, o domingo,
dia 7 de março.

No diálogo virtual, os prefeitos trouxeram algumas sugestões, incluindo mudanças em
protocolos. Segundo o governador, as questões serão levadas ao Gabinete de Crise, com
possibilidade de divulgar atualizações para a próxima rodada. No entanto, apesar de
muitos se manifestarem contra a suspensão da cogestão, o Estado decidiu tomar a
medida para fazer valer o alto nível de alerta que os dados científicos apontam.

“Não podemos deixar de agir, e temos de agir de forma coordenada, caminhando em
uma mesma direção. A corda arrebenta se puxarmos do lado da população, que sofre as
consequências. A pandemia se normalizou no cotidiano, na vida das pessoas, e o vírus
está cada vez mais perto das pessoas. Precisamos impactar a rotina da população para
que haja mudanças de comportamento. Campanhas de conscientização já não são
suficientes, porque o bom senso que se espera acaba não ocorrendo”, afirmou Leite.

Restrições serão reavaliadas na próxima semana

No final da próxima semana, o governo deverá convocar nova reunião com a Federação
das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) para avaliar os resultados
das ações adotadas até aqui.

Além da queda temporária da cogestão, será mantida a suspensão de atividades não
essenciais entre 20h e 5h, cujo horário foi ampliado a partir do diálogo com prefeitos, e
o Gabinete de Crise decidiu derrubar temporariamente também a Regra 0-0, que
permitia que municípios com zero internação e zero óbito nos últimos 14 dias pudessem
adotar automaticamente os protocolos da bandeira imediatamente anterior à da sua
região.

A decisão tem como base, principalmente, o alto índice de leitos ocupados e o risco
altíssimo de esgotamento da capacidade hospitalar do Estado. Em gráfico atualizado
diariamente, o governador mostrou que no dia 7 de fevereiro o RS tinha 720 leitos
livres, número que caiu para 292 na quarta (24/2).

“Ou seja, de mais de 700 leitos livres, caímos para menos de 300 em cerca de 15 dias. E
o grande problema é este: o ritmo que isso vem tendo não nos permite esperar para ver
o quanto as restrições recentes permitiram de redução de contágio. E essa redução para
menos de 0,3 leito livre para cada leito ocupado vai impactar na estrutura do Estado
como um todo. Então, independentemente de um município ter zero internações ou zero
mortes nos últimos dias, qualquer contágio que ele tiver, uma pessoa que seja, que
exija internação vai esbarrar em um sistema que está saturado. Por isso, a Regra 0-0
será suspensa, porque precisamos do sacrifício de todos”, esclareceu o governador.

A secretária da Saúde, Arita Bergmann, reforçou a necessidade de se fazer um
“enfrentamento coletivo” à pandemia. “Precisamos de uma tomada de posição que pode
não ser a que gostaríamos, mas a que se faz necessária para frearmos essa escalada do
vírus. Precisamos fazer uma mudança para evitarmos o pior, que é perder vidas –
amigos, familiares, colegas. E isso nos move para fazer o enfrentamento coletivo, com
apoio de todos”, afirmou Arita.

A expansão em 125% dos leitos de UTI adulto SUS no Estado foi fundamental para
evitar o esgotamento da capacidade hospitalar até aqui, mas a velocidade de
propagação do coronavírus e o crescimento das internações por Covid-19 estão muito
além do que a estrutura é capaz de suportar.

“Quando fizemos a primeira reunião, com todos os prefeitos eleitos, em 24 de janeiro,
não imaginávamos que estaríamos hoje com 91% de taxa de ocupação dos leitos de
UTI. Naquela oportunidade, estávamos com 74%. Isso significa que tudo que
preparamos, em termos de retaguarda de leitos, não está sendo suficiente para
atendermos as demandas diárias que temos. Temos 4.925 gaúchos internados por
Covid. É um número maior do que a população de 230 municípios. Para dar conta,
seriam necessários 60 novos leitos de UTI por dia. Não temos como fazer 60 leitos
novos por dia. Depende de espaço, equipamentos, equipes, vários fatores”, detalhou a
secretária.

A Secretaria da Saúde acionou, nesta quinta (25), o último nível da fase 4 do Plano de
Contingência Hospitalar, montado no início da pandemia. Além da suspensão imediata
das cirurgias eletivas (com exceção das cirurgias de urgência ou que representem risco
para o paciente), a fase 4 pressupõe a instalação de leitos emergenciais em salas de
recuperação e em UTIs intermediárias. Junto à ocupação dessas áreas, devem ser
acionadas as equipes técnicas desses setores, especialmente as equipes médicas e de
enfermagem.

“Esgotamos a possibilidade de buscarmos alternativas para podermos acolher as
pessoas, especialmente na questão dos leitos de UTI. Atualmente, 60% dos pacientes
que chegam à UTI vão a óbito, e esse número está aumentando. Isso sem considerar
que muitos não chegarão aos leitos de UTI porque não teremos leitos de UTI. Já
perdemos 12 mil vidas. Se não fizermos nada, chegaremos a 200 óbitos por dia, e a 15
mil óbitos até o dia 15 de março”, alertou a secretária.

Plano de fiscalização

Para ajudar na fiscalização dos municípios e fazer cumprir efetivamente as restrições à
circulação de pessoas para reduzir contágio do vírus, a Secretaria da Segurança Pública
(SSP) elaborou um protocolo para fortalecer a ação integrada com as prefeituras. O
planejamento da Operação Te Cuida RS foi apresentado na reunião com a Famurs pelo
vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior.

“Construímos esse protocolo para ser utilizado nos 497 municípios, a fim de que
efetivamente consigamos fazer a fiscalização. É nos municípios que as situações
realmente acontecem. É fundamental que as prefeituras coloquem toda a sua estrutura
para se agregar nesse esforço. Se não conseguirmos reduzir a curva da contaminação,
talvez tenhamos que tomar outras medidas, ainda mais drásticas, com impacto tanto
para o setor privado quanto para a arrecadação do poder público”, alertou Ranolfo.

Colaboraram para a elaboração do plano as chefias de Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo
de Bombeiros Militar, Instituto-Geral de Perícias (IGP) e Departamento Estadual de
Trânsito (DetranRS). Na tarde de quarta-feira (24/2), foi discutido em videoconferência
com cerca de 200 autoridades e representantes dos 23 municípios que compõem o
grupo prioritário do RS Seguro para colher sugestões, que foram agregadas à versão
final. O objetivo central é coibir aglomerações e intensificar a fiscalização da ordem de
suspensão de atividades não essenciais.






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