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Edicão n° 204 de Junho 2020


Escolas da região de Canoas usam internet para enviar Aulas Programadas durante a quarentena
13/04/2020

Com a missão de garantir a oferta de Aulas Programadas a todos os alunos da Rede
Estadual de Ensino, seja pela distribuição física dos materiais didáticos ou pelo uso de
plataformas digitais, as equipes diretivas e os professores das instituições de ensino têm
buscado alternativas para aplicar os conteúdos durante a quarentena, que será mantida
pelo menos até 30 de abril. Em escolas da 27ª Coordenadoria Regional de Educação
(CRE), da região de Canoas, mesas, cadeiras e cadernos cederam lugar,
temporariamente, a grupos no WhatsApp, no Facebook e interações em ferramentas do
Google.

Uma das instituições a adotar os meios digitais para suas aulas é a Escola Estadual de
Ensino Fundamental Antônio Francisco Lisboa, que atende cerca de 400 anos do 1° ao
9° Ano. Conforme a diretora Mabel Luiza Leal, a escolha decorreu de uma tentativa de
evitar que pais e estudantes precisassem abandonar o isolamento social, recomendado
pelo Ministério da Saúde, para buscar o material das aulas na escola. Como se concluiu,
em levantamento da instituição de ensino, que a quase todos os alunos têm acesso à
internet, foi possível aplicar esse modelo.

“A maioria dos pais e dos alunos têm Facebook, por exemplo. Nós usamos a ferramenta
desde 2011 para postar coisas sobre a escola e, por isso, este foi o primeiro recurso que
encontramos para divulgar as nossas atividades”, comenta Mabel. Os poucos alunos que
não têm acesso à internet estão tendo suas situações solucionadas pelos professores
regentes das turmas.

Conforme a diretora, as atividades on-line têm sido um sucesso: até professores de
disciplinas pouco afeitas ao mundo digital, como a Educação Física, têm usado vídeos,
textos, áudios e imagens para ensinar suas turmas. Além do Facebook, muitos docentes
criaram grupos de WhatsApp com pais e alunos. Dependendo da idade dos estudantes,
foram compartilhadas pastas do Google Drive com materiais e alguns utilizam o Google
Classroom, que se propõe a ser uma sala de aula virtual.

A surpresa, para Mabel, foi perceber que os estudantes estão até mais motivados com
as atividades digitais do que normalmente estariam com as presenciais. “Eles estão
pesquisando muito mais por conta própria. A gente fica bem grata, porque esse modelo
só vai funcionar se eles estiverem atuantes, tendo autonomia”, comenta.

A escola já estava incluindo aos poucos os recursos digitais na sua metodologia. “Os
processos vão mudando e vamos nos reinventando. Eles gostam de usar celular e
computador, por exemplo, também nas atividades”, comenta a diretora. O próximo
passo será tentar implementar videoconferências nas reuniões entre os professores e,
depois, também junto aos alunos.

Mabel acredita que a inserção da tecnologia se manterá na escola após a quarentena e
salienta que o incremento vai ao encontro de projetos realizados na instituição, como o
programa Jovem RS Conectado no Futuro, que permite a montagem de um espaço
maker na escola totalmente voltado para plataformas digitais. “Isso vai mudar bastante
a nossa realidade, porque motiva os estudantes que não querem mais ficar sentados
olhando para o quadro”, avalia.

A chefe de cozinha Nilva Magni está passando a quarentena em casa com quatro
estudantes do Francisco Lisboa: seu filho, Fabrício, de 15 anos; a namorada dele, Ana,
de 13; e os dois sobrinhos, Nícolas, de dez, e Gabriela, de sete. A adaptação ao novo
modelo de ensino tem sido boa.

“É mais difícil explicarmos o conteúdo, porque não tem um professor presencialmente
para ensinar, mas tentamos colocar os trabalhos em pauta. Toda a explicação está ali,
há questionários, links que ajudam bastante, um grupo de WhatsApp para cada turma e
o grupo das matérias, isso é muito bom”, destaca Nilva, que se sente feliz por poder
participar mais da educação das crianças.

Mais interação dos alunos

A Escola Estadual de Ensino Médio André Leão Puente, de Canoas, também está
empenhada em usar da melhor maneira possível as ferramentas digitais disponíveis.
Como os 1.070 alunos já são adolescentes, foi mais fácil fazer a adaptação, de acordo
com o diretor Felipi Vidal Fraga.

“Criamos no Google Classroom uma estrutura com todas as turmas. Junto com isso,
fizemos grupos para cada turma no Facebook e no WhatsApp. As atividades são todas
postadas no Classroom e o professor que preferir a interação com os alunos nas redes
pode conversar pelos outros meios também”, relata. Em paralelo, os docentes usam o
canal da escola no YouTube e videoconferências por Skype para fazer explicações mais
longas sobre determinadas matérias.

Assim como Mabel, Fraga tem percebido uma interação maior por parte dos alunos com
as Aulas Programadas on-line. “Eles estão entregando mais os deveres em dia e, não sei
se por que, estão tendo mais tempo disponível para as tarefas, e parecem estar
gostando mais de fazê-las”, observa. A instituição tem um projeto de realização de
podcasts pelos estudantes, que têm sido mais escutados desde o início da quarentena.

Solidariedade entre as escolas

A coordenadora da 27ª CRE, Sônia Rosa, relata que o uso de ferramentas digitais pelos
professores já era algo em processo de elaboração pelo Departamento de Educação, da
Secretaria da Educação (Seduc), e foi aplicado agora em virtude da pandemia de
coronavírus. “A devolutiva desse material tem sido muito bacana. Eu tenho visto
trabalhos maravilhosos envolvendo professores, alunos e até pais”, aponta.

Tem chamado a atenção de Sônia o espírito de solidariedade entre as escolas, com
diretores corroborando com os trabalhos uns dos outros. “Isto não tem preço para a
educação. Coloca a rede em outro patamar de aproximação com a tecnologia. Tem sido
um momento de muito aprendizado”, afirma.

As escolas têm tido liberdade para decidir sobre se querem oferecer as Aulas Programas
de forma física, entregando os materiais a pais e professores na própria instituição, ou
se preferem usar ferramentas tecnológicas. Mesmo com essa autonomia, a
coordenadora não tem dúvidas de que este momento de quarentena irá gerar
transformações permanentes.

“Jamais seremos os mesmos. O uso das tecnologias já é uma crescente, muitas escolas
têm usado e, agora, outros professores tiveram que se desacomodar. A mudança só se
realiza fazendo, tirando dúvidas uns com os outros”, defende. Sônia acredita, ainda, que
os professores também estão aprendendo com os alunos, que já nasceram entrando em
contato com a internet e as ferramentas digitais.






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