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Edicão n° 200 de Fevereiro 2020


RS encerra 2019 com a menor taxa de homicídios da década em proporção à população
10/01/2020

A consolidação dos indicadores criminais monitorados pela Secretaria da Segurança Pública
(SSP) confirmou as projeções: o Rio Grande do Sul encerrou 2019 com os menores índices dos
últimos dez anos. Os dados foram apresentados pelo vice-governador e secretário da
Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, na abertura da reunião da Gestão de Estatística em
Segurança (Geseg), na tarde desta quinta-feira (9/1), no Palácio Piratini, em Porto Alegre. O
governador Eduardo Leite conduziu a reunião.

Dezembro chegou ao fim com acumulado de 1.793 vítimas de homicídio no ano, frente às
2.362 registradas em 2018, conforme a atualização da série histórica. Foram 569 óbitos a
menos – redução de 24,1%. Com o resultado, considerando a mais recente estimativa de
população segundo o IBGE, de 11,37 milhões de moradores no RS, a taxa de homicídios caiu
ao menor nível da década, para 15,8 a cada 100 mil habitantes no Estado.

A taxa é cinco pontos menor do que a de 2018, de 20,8 a cada grupo de 100 mil habitantes. O
menor índice anterior (16,8) é de 2010, quando o Estado teve 1.801 mortes por homicídio
para uma população de 10,69 milhões de habitantes.

Na comparação entre o total de pessoas mortas em homicídios, latrocínios e feminicídios nos
últimos 12 meses com igual período anterior, 603 vidas foram preservadas no Estado. O
número de óbitos por esses crimes baixou de 2.571 para 1.968.

O principal fator para esse quadro de retração é o foco territorial empregado pelo RS Seguro.
A partir de estudo técnico, o programa centrou o combate ao crime nos 18 municípios onde se
concentravam os maiores índices de violência.

Esse grupo de cidades foi responsável por 90,6% da redução de homicídios em todo o Rio
Grande do Sul. Significa que a cada 10 homicídios a menos em 2019, nove deixaram de
ocorrer nos municípios priorizados.

“Isso mostra que a nossa estratégia foi acertada, tanto no foco territorial como na integração
de todos os agentes da segurança e das diferentes esferas. Por isso, queria fazer um
agradecimento especial a todos os operadores que, diuturnamente, arriscam suas vidas para
que as demais sejam preservadas”, afirmou Ranolfo.

Porto Alegre contribuiu com quase a metade da retração de homicídios entre os 18 municípios
da lista. A capital, que havia registrado 536 vítimas em 2018, encerrou o ano passado com
318 – queda de 40,7%, com 218 óbitos a menos.

O acumulado de roubos com morte também contribuiu para preservação de vidas no Estado.
Foram 73 ocorrências de latrocínios (com 75 vítimas) entre janeiro e dezembro de 2019 ante
91 ocorrências (93 vítimas) nos 12 meses anteriores – redução de 19,8%. Na capital, 12
pessoas foram mortas durante assaltos no ano passado, uma a menos do que em 2018.

Intensificação de ações
em áreas específicas

Embora sem capacidade para alterar o acumulado ao longo do ano, o resultado isolado de
dezembro representou altas pontuais em alguns crimes no Estado. O mês se encerrou com
171 vítimas de homicídio, duas a mais (1,2%) do que as 169 do mesmo período de 2018.

As maiores altas ocorreram em Santa Cruz do Sul, Sapucaia do Sul (ambos com cinco vítimas
a mais), Pelotas (quatro a mais), Farroupilha, Novo Hamburgo (três a mais em cada) e Porto
Alegre (duas a mais).

Ao detectar essas elevações pontuais, o comitê de análise da Geseg do programa RS Seguro
alinhou a intensificação de ações repressivas pelas instituições vinculadas à SSP, em especial
a Brigada Militar e a Polícia Civil.

Na capital, por exemplo, onde o número de vítimas de homicídio passou de 37 em dezembro
de 2018 para 39 no último mês, o estudo dos dados identificou elevação concentrada na
Restinga, com oito mortes, enquanto a média mensal entre janeiro e novembro no bairro
havia sido de 2,5.

“As investigações policiais em andamento, somadas ao trabalho de inteligência criminal
realizado pela Divisão de Inteligência do Departamento de Homicídios, verificaram que se
iniciou em dezembro uma disputa na localidade conhecida como Vila Bica, onde uma antiga
liderança que perdera o domínio local buscou uma retomada de espaço”, explica a delegada
Vanessa Pitrez, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Capital, da
Polícia Civil.

A partir desse diagnóstico, as forças de segurança imediatamente passaram a trabalhar em
estratégias de repressão ao crime na Restinga. Além de ampliar as diligências de policiais da
4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (4ª DHPP) em busca de informações e para
intimação de testemunhas, foi deflagrada em 27 de dezembro uma ofensiva ostensiva
permanente das DHPPs, denominada Operação Contenção.

Em ação integrada com a BM, a área passou a ter a presença de mais de 60 policiais civis e
militares, que atuaram em coleta de dados, identificação de testemunhas e suspeitos, vistoria
em veículos e busca por foragidos. Em uma das ações, um homem com antecedentes por
envolvimento em homicídios e tráfico de drogas, integrante de uma facção originada no bairro
Bom Jesus, foi preso.






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