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Edicão n° 198 de Dezembro 2019


Educação Infantil puxa crescimento do nível socioeconômico do RS
04/10/2019

O Idese é parâmetro para avaliar a situação de municípios quanto ao desenvolvimento em
Educação, Saúde e Renda - Foto: Raquel Schneider / Ascom Seplag (foto anexa)
O Rio Grande do Sul registrou crescimento de 0,34% no Índice de Desenvolvimento
Socioeconômico (Idese) em 2016. Na comparação com 2015, o indicador passou de 0,751
para 0,754, o que mantém o Estado no patamar de desenvolvimento médio.

Dos três blocos do Idese, dois tiveram percentuais positivos: o da Educação, com o maior
avanço relativo (1,73%), e o 0,26% da Saúde, o que assegura o segmento no topo do Idese
desde 2009 (agora em 0,819). Fruto do cenário econômico, o Bloco Renda foi o único a ter
retração (-0,89%), acumulando perda de 4% nos últimos dois anos da série.

Parâmetro para avaliar a situação socioeconômica dos municípios gaúchos a partir de aspectos
quantitativos e qualitativos quanto ao desenvolvimento nestas três áreas, a divulgação do
Idese 2016, nesta quarta-feira (2/10), incluiu também os indicadores por municípios e por
Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), além de outras regionalizações
importantes para o planejamento, como as microrregiões do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), regiões de Saúde e Educação entre outras.

“Mesmo o Rio Grande do Sul apresentando indicadores que o colocam em um nível médio de
desenvolvimento, o Idese nos ajuda a identificar onde é possível melhorar, para onde as
políticas públicas precisam de um olhar mais atento”, destacou a secretária de Planejamento,
Orçamento e Gestão, Leany Lemos. A classificação vigente considera o desenvolvimento alto
aqueles indicadores maiores ou iguais a 0,800, médio os que se encontram entre 0,500 e
0,799 e baixo os que não superam o índice de 0,499.

Educação

O principal desempenho comparativo no Bloco Educação se deu com a Educação Infantil, cujo
Idese registrou ao final de 2016 um salto de 11,76%. O resultado é medido, basicamente,
pelas taxas de matrículas pelo Censo Escolar confrontadas com as estimativas da população
entre quatro e cinco anos de idade.

Responsável pelo estudo, o analista pesquisador Tomás Pinheiro Fiori, alerta para situações
bastante distintas neste segmento: enquanto cresce o nível na Educação Infantil, o sub-bloco
do Ensino Médio teve um recuo de 6,37% ao repetir a comparação das matrículas com as
estimativas de gaúchos entre 15 e 17 anos.

”Como apenas no biênio 2015-2016 esta redução chegou a -9,72% nas matrículas totais,
pode-se estabelecer uma relação entre a conjuntura econômica do país e o possível
deslocamento de jovens em idade escolar para atividades que ajudem a complementar a
renda familiar em tempos de crise”, complementou Fiori, que integra a equipe de
pesquisadores do Departamento de Economia e Estatística (DEE), órgão vinculado à Secretaria
de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag). O pesquisador acrescentou ainda que as
matrículas neste nível de ensino vêm caindo em ritmo mais acelerado desde o início da série
do Idese, em 2007.

Saúde

O Bloco Saúde, embora tenha apresentado avanço mais modesto, é o único do Idese gaúcho a
se manter em nível elevado de desenvolvimento, com índice apurado, em 2016, de 0,819,
com evolução positiva na maioria dos componentes em todos os anos do Idese.

É o caso dos indicadores que medem as condições materno-infantis, que atingiu 0,839 em
2016 (0,69% acima do ano anterior). Nesse sub-bloco, o Idese é estimado a partir de dois
indicadores principais, que são a taxa de mortalidade de crianças até cinco anos de idade e a
taxa de nascidos vivos cujas mães realizaram pelo menos sete consultas pré-natal. “O
desempenho nestes indicadores também é bastante positivo, com destaque especial para a
mortalidade infantil, que se aproxima de índices observados em média nos países mais
desenvolvidos”, destacou o analista.

O bom desempenho gaúcho em saúde decorre do fato de que grande parte dos indicadores
utilizados se refere à mortalidade, sendo a população do RS uma das mais longevas do país.
Quando se trata do índice específico de longevidade e mortalidade, o sub-bloco estimado para
o conjunto do Estado apresenta níveis elevados desde o primeiro ano da série, em 2007
(0,840), tendo alcançado 0,869 na estimativa mais recente, de 2016.

Renda

O Bloco Renda, do Idese 2016, deu continuidade ao processo de retração verificado em 2015,
condizente com a conjuntura econômica nacional. O índice de 0,732 coloca o Estado quase no
mesmo patamar de 2012 (0,730), distante do nível alcançado no ápice da série histórica, em
2014 (0,763).

Municípios da Serra lideram

Pelo sétimo ano consecutivo na série do Idese, Carlos Barbosa, na região da Serra, figura na
liderança do índice geral do Idese para os municípios, com 0,884, desempenho levemente
superior a 2015 (0,879), mas ainda inferior ao seu ápice de 2014 (0,892).
Evolução

Entre os municípios gaúchos, nenhum apresenta nível baixo de desenvolvimento
socioeconômico, quando medido pelo Idese. No ano de 2016, 423 municípios apresentaram
índices médios, enquanto 74 apresentaram índices altos. Isso significa que cerca de 14,9%
dos municípios gaúchos, onde residem 27% da população gaúcha – mais de 3 milhões de
pessoas –, obtiveram índices iguais ou superiores a 0,800, em 2016.

Em comparação com 2015, foram sete os municípios que caíram do nível alto para o nível
médio de desenvolvimento. No entanto, 13 municípios seguiram o caminho inverso,
conquistando um lugar entre aqueles municípios considerados de desenvolvimento alto.

Entre os piores desempenhos de 2016, a tendência repete 2015, apenas alterando levemente
a ordem os municípios menos desenvolvidos do RS. No ano mais recente, Alvorada caiu uma
posição para assumir o último posto, em 497º lugar, com um índice total de 0,572.

Enquanto isso, Dom Feliciano, que em 2015 figurava na última colocação, melhorou o índice
de 0,567 para 0,589 e, com isso, pular uma posição, agora para 496º. Mais uma vez o
indicador que se destaca é a taxa de matrícula na educação infantil, que o município
conseguiu ampliar de 56%, em 2015, para 89%, em 2016.

Educação nos municípios

Entre os municípios com maiores índices no Bloco Educação, Picada Café, na região das
Hortênsias, se manteve no topo pelo segundo ano consecutivo e pela sexta vez na série de 10
anos do Idese, com índice de 0,848. Seu desempenho é calcado na liderança no sub-bloco de
Educação Infantil (0,965), o que significa quase todas as crianças de quatro e cinco
matriculadas. Na segunda colocação do sub-bloco do Ensino Fundamental (0,886), o que
indica os melhores desempenhos nos anos iniciais e finais avaliados pelo Saeb; além de um
excelente índice no sub-bloco do Ensino Médio, de (0,972), também calcado na quase
totalidade da estimativa de jovens de 15 a 17 anos matriculados em escolas.







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