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Edicão n° 197 de Novembro de 2019


Programa estadual sobre febre amarela é referência mundial
06/09/2019

A experiência de mais de 18 anos do programa de vigilância da febre amarela do Estado
tornou-se uma referência reconhecida internacionalmente. Na última semana o biólogo Marco
Antônio de Almeida esteve no Panamá, onde palestrou em um congresso de doenças
infecciosas emergentes. Em outubro, ele e outros servidores do Centro Estadual de Vigilância
em Saúde (Cevs) irão a Guiana, a convite da Organização Pan Americana da Saúde (OPAS),
treinar e capacitar agentes do país.

Além desses trabalhos, ações no Estado buscam evitar a entrada da febre amarela. Para isso,
um censo vacinal foi realizado em áreas rurais entre julho e agosto, além de visitações a
localidades do Norte, Serra e Litoral, por onde estima-se que o vírus possa ingressar. No
próximo dia 16, um evento em Porto Alegre reunirá profissionais de hospitais de todo o Estado
para falar sobre o manejo clínico da doença. O evento está com inscrições abertas no site da
Secretaria da Saúde.

Aprimoramento desde 2001

Marco relembra que a vigilância ambiental da febre amarela, com o monitoramento de
primatas (bugios e macacos-prego no caso do RS) começou em 2001 no Estado, quando casos
de mortes desses animais por febre amarela foram identificados nas cidades de Santo Antônio
das Missões e Garruchos, na região Noroeste. “Desde lá viemos aprimorando cada vez mais o
programa e esse papel fez com que sejamos reconhecidos por isso”, afirma. Por isso, o
trabalho do Cevs já foi levado como modelo a diversos estados do país e no exterior.

Como forma de levar esse conhecimento para outras regiões, a OPAS convidou a equipe do
Estado para cursos e capacitações na Argentina, Suriname e Peru entre esse ano e o ano
passado. Em outubro, o grupo embarcará para a Guiana. Além de Marco, os biólogos Edmílson
dos Santos e Jader Cardoso irão ao país para o trabalho junto aos profissionais de saúde
locais.



Ações no Estado

Atualmente, o país passa pelo maior surto da doença na história. Desde 2017, o estado de
São Paulo passou a apresentar casos. Na sequência, o vírus se propagou para o Paraná e, por
último, Santa Catarina, sempre pela área rural. No Rio Grande do Sul não são identificados
casos transmitidos dentro do Estado desde 2009. Segundo o Ministério da Saúde, já foram
confirmados no país este ano 85 casos em humanos, sendo 15 óbitos entre eles.

Frente a esse panorama, algumas medidas foram desencadeadas no RS. Uma delas foi um
censo vacinal de febre amarela nas áreas rurais. O trabalho previu, entre os meses de julho e
agosto, a visitação casa a casa nesses locais para o levantamento da situação vacinal dessa
população e imunização das que ainda não tomaram a dose. As áreas mais suscetíveis são o
Norte, a Serra e o Litoral Norte, em virtude da divisa com Santa Catarina e onde há a
presença de áreas silvestres de mata, por onde o vírus pode avançar. Até agora já foram
procurados 14 municípios dessas regiões, onde 309 residências foram visitadas, com 902
pessoas entrevistadas. Neste mês de setembro, uma nova expedição está prevista para as
áreas rurais das cidades de Vacaria e Bom Jesus, entre os dias 23 e 27. “A ideia é fazer com
essas pessoas uma rede de vigilância, já que o mais provável é que sejam elas as primeiras a
identificar um macaco morto na mata”, explica Marco.

Além disso, Secretaria da Saúde (SES) orientou que todos os municípios do Estado
realizassem até o final de agosto um censo vacinal de febre amarela nas áreas rurais. O censo
teve por objetivo fazer a busca por pessoas não vacinadas nesta que é a população mais
exposta.



Importância da preservação dos macacos

Na natureza, as principais vítimas da febre amarela são os macacos, que no Rio Grande do Sul
são representados pelas espécies do bugio e macaco-prego. Os primatas não são responsáveis
pela transmissão. Esses animais são sentinelas, já que servem como indicador da presença do
vírus em determinada região. A transmissão não ocorre de animal para humano. A doença é
transmitida pela picada do mosquito.

Caso a população encontre macacos mortos ou doentes, deve informar o mais rapidamente ao
serviço de saúde do município ou do Estado. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs)
dispõe do telefone 150 para informações, com atendimento de segunda a sexta-feira (das
8h30 às 22h) e aos sábados, domingos e feriados (das 8h às 20h).



Vacinação para a população geral

A vacina contra a febre amarela também está disponível nas Unidades Básicas de Saúde para
toda a população, indicada para pessoas acima dos 9 meses e menores de 60 anos. A
imunização é a principal ferramenta de prevenção e controle da febre amarela. A aplicação em
pessoas com mais de 60 anos só é orientada mediante avaliação e prescrição médica. O
esquema vacinal é de uma dose única, que deve ser administrada pelo menos 10 dias antes
do deslocamento para áreas de risco (matas, florestas, rios, cachoeiras, parques e o meio
rural). Quem já tomou ao menos uma dose da vacina não precisa de nova aplicação.



O que é a doença?

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido, no
meio rural e silvestre, pelo mosquito Haemagogus. O vírus é transmitido pela picada dos
mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa. A febre
amarela tem importância epidemiológica por sua gravidade clínica e potencial de disseminação
em áreas urbanas infestadas pelo mosquito Aedes aegypti.

Os sintomas incluem: início súbito de febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas
ou no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Depois de identificar alguns
desses sintomas, procure um médico na unidade de saúde mais próxima e informe sobre
qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas. Também
informe caso tenha observado macacos mortos próximos aos lugares visitados, assim como a
situação vacinal.

Em casos graves, a pessoa infectada por febre amarela pode desenvolver algumas
complicações, como febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos),
hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e
insuficiência de múltiplos órgãos.






Edicão n° 197 de Novembro de 2019
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