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Edicão n° 204 de Junho 2020


Leite materno: a primeira escolha para auxiliar na prevenção da alergia à proteína do leite de vaca
12/08/2019

Temos acompanhado um aumento mundial das alergias alimentares nas últimas duas
décadas. As alergias alimentares podem ser definidas como reações adversas, reprodutíveis,
que ocorrem devido a uma reação imunologicamente mediada a um componente alimentar
(em geral, uma proteína). A alergia mais comum nos primeiros anos de vida é a alergia à
proteína do leite de vaca (APLV).

As alergias alimentares apresentam um impacto muito significativo na qualidade de vida dos
pacientes e de suas famílias, que parece ser mais importante do que o impacto causado pelas
doenças crônicas, como diabetes. As Alergias Alimentares são divididas em imediatas ou IgE-
mediadas e não-IgE mediadas ou tardias, de acordo com as manifestações e com o tempo que
ocorrem após o contato com o antígeno. As alergias não-IgE mediadas leves e moderadas são
as mais comuns nos consultórios e podem apresentar sintomas muito variáveis, desde
sintomas inespecíficos como choro, irritabilidade, agitação; sintomas mais claramente
relacionados à APLV como sangue nas fezes e sintomas mais importantes como perda de peso
e diarreia e má absorção.

O diagnóstico dessas alergias requer um período de exclusão da proteína do leite de vaca e o
posterior desencadeamento, com o retorno dos sintomas inicias. A sequência dieta de
eliminação-reintrodução, com reaparecimento dos sintomas, é o único caminho para se fazer o
diagnóstico das APLV não-IgE mediadas, leves e moderadas, já que os testes de pele ou
séricos de IgE não são úteis nesses casos. O tratamento requer a dieta de exclusão de leite de
vaca e derivados para as mães que amamentam ou fórmulas especiais para os lactentes que,
por algum motivo deixaram de ser amamentados.

O leite materno, até o momento, é o melhor para auxiliar na prevenção da APLV e na
aquisição de tolerância, devendo ser sempre a primeira escolha. Nos lactentes que não são
amamentados, as fórmulas extensamente hidrolisadas de proteínas do leite de vaca são a a
primeira escolha de tratamento, na maioria dos casos e em todos consensos mundiais. As
fórmulas de aminoácidos são usadas nos casos mais graves. Os pacientes que estão em
tratamento para APLV necessitam suporte dietético, não só para assegurar a dieta correta,
mas também para acompanhar os aspectos nutricionais e de crescimento do paciente, assim
como possíveis problemas alimentares presentes e futuros.

Por isso, as fórmulas prescritas devem apresentar boa tolerabilidade, aceitação e
palatabilidade. É necessária muita atenção no uso de preparados inadequados para crianças,
como bebidas lácteas não indicadas para lactentes e crianças , como leite de arroz, leite de
cabra e leite de amêndoas.

Cristina Targa Ferreira

Presidente da SPRS, gastroenterologista, Cristina Targa Ferreira






Edicão n° 204 de Junho 2020
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