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Edicão n° 188 de Fevereiro 2019


Urna Eletrônica, Fraude: Bolsonaro tem razâo - Parte I
04/10/2018

“Pelo que eu vejo nas ruas, não aceito resultado das eleições diferente da minha
eleição”. Bolsonaro deu essa declaração preocupado com fraude nas urnas eletrônicas.
Ele tem razão, conforme veremos a seguir.

Sou autor do livro autobiográfico De Faxineiro a Procurador da República,
estou escrevendo um livro que pretendo publicar ainda este ano. Na obra, entre outras
coisas que a sociedade não tomou conhecimento, explico o motivo de uma organização
criminosa se instalar no poder e, por muitos anos, não ser efetivamente combatida;
relato, também, os reais bastidores da Lava Jato, pois o que foi publicado até agora ou é
informação oficial, que diverge da realidade, ou é informação clandestina, fruto de
vazamentos, que por serem seletivos, só vazaram o que interessou. Também consta no
livro informações sobre urna eletrônica, que a sociedade precisa saber. Neste artigo,
que é dividido em três partes, faço um resumo do que consta na obra.

O que escrevo sobre urna eletrônica é baseado na minha experiência de trabalhado
como procurador eleitoral em dois pleitos eleitorais (2000 e 2002), na formação técnica
que possuo em eletrônica, na troca de informações com procuradores que
trabalharam/trabalham na área eleitoral, em informações obtidas com técnicos
especializados na área de urnas eletrônicas e em pesquisas para o livro. Assim, com
base na minha experiência e no conhecimento da área, não tenho a menor dúvida em
afirmar que a urna eletrônica é violável, e o pior: é insusceptível de auditagem real,
apenas virtual, não sendo possível prevenir nem detectar eventual fraude.

Vamos, então, à primeira parte do artigo, a outra será publicada na quarta-feira e, a
última parte, na quinta-feira.

Tudo indica que, em 1998, o PT perdeu a eleição para governador de Brasília por causa
de fraude nas urnas eletrônicas. Cristóvam Buarque, na época, filiado ao PT, era
governador de Brasília, candidato à reeleição. Eu morava, trabalhava e votei em Brasília
e sou testemunha de que Buarque fez bom governo, ademais, na época, o PT era tido
como partido defensor da moralidade, assim, tudo indicava que o então governador
petista seria reeleito, sem dúvida alguma. Nas ruas só se falava na sua vitória. A
indicação de que os eleitores iam votar nele não chegava a ser o que é hoje a do
candidato Bolsonaro, mas era bem visível a vantagem a seu favor. No entanto, as
pesquisas indicavam apenas pequena vantagem de Cristóvam Buarque sobre o
adversário mais próximo: Joaquim Roriz (PMDB), falecido recentemente.
Na eleição de 4 de outubro de 1998 (primeiro turno), Cristóvam Buarque teve 42,67%
dos votos válidos e Joaquim Roriz, 39,23%. No segundo turno, a vantagem do Buarque
nas ruas e em qualquer local público parecia ainda maior, todavia, as pesquisas,
embora indicassem que ele estava na frente, davam pequena vantagem, sendo que, no
dia da eleição, as pesquisas indicaram “empate técnico”, isso, nem de longe, era o que
se via nas ruas, nos comentários de bar, nos supermercados, nas padarias etc.
Inclusive, na seção em que votei, era nítida a presença de eleitores, na maioria quase
absoluta, dando indicativo de votar em Cristóvam Buarque, porém quem ganhou a
eleição foi Joaquim Roriz, que obteve 51,74% dos votos válidos, Cristóvam Buarque,
48,26%.
Nem o mais otimista eleitor do Roriz acreditava na vitória dele. Um conhecido meu, cabo
eleitoral do Joaquim Roriz, que fez campanha em todo o Distrito Federal, disse-me que
não acreditava de jeito algum na vitória, pois em todo lugar que ele ia era visível a
preferência dos eleitores por Cristóvam Buarque. As evidências indicam, às escâncaras,
que aquela eleição foi fraudada e tudo indica que a fraude nas urnas eletrônicas foi
combinada com pesquisas eleitorais.
Por conta da pesquisa para o livro, tenho acompanhado, auxiliado por diversos
informantes, a campanha eleitoral dos candidatos à Presidência da República. É
impressionante as inúmeras manifestações de pessoas em prol da candidatura de
Bolsonaro. Acredito que em eleição alguma no mundo se viu tamanhas manifestações
voluntárias de eleitores em prol de um candidato. Em qualquer show de espetáculo
(teatro, música etc) que o nome dele é citado no microfone a multidão responde
positivamente, o mesmo ocorre em igrejas, tanto evangélicas como católicas.
Bolsonaro é ovacionado por torcidas adversárias em campo de futebol, que gritam
“mito”, “mito” “mito”, como ocorreu no jogo do Cruzeiro e Atlético Mineiro, Vasco e
Ceará, Flamengo e Corinthians e outros. Nas ruas, as carreatas dele, em qualquer lugar
do país, são infinitamente maior do que qualquer outro candidato. Nunca vi ninguém ter
apoio popular maciço e voluntário como o candidato em questão. Seus eleitores parecem
ser mais ferrenhos defensores de uma causa do que apenas eleitores.
Qualquer pesquisa informal que se faça sobre pretensão de voto, Bolsonaro ganha
disparadamente. Inclusive, na Ilha do Marajó, Pará, minha terra de origem, em locais
que já foi reduto do PT, onde quem falasse mal do Lula corria risco de apanhar,
atualmente, de cada 10 eleitores, 8 dizem que vão votar no “mito” e dois não sabem em
quem vão votar.
Com efeito, afigura-se muitíssimo estranho os resultados das pesquisas darem pequena
vantagem a ele com indicativo de derrota no segundo turno para qualquer candidato. E
mais. Embora seja comum um candidato, após sofrer um atentado, obter a simpatia das
pessoas, a rejeição a ele nas pesquisas fez aumentar, o que vai na contramão da lógica
e do que se observa nas ruas e em qualquer lugar público.
Espero, sinceramente, estar equivocado, mas tudo indica que nesta eleição presidencial
repetir-se-á fraude análoga a que, as evidências indicam, ter ocorrido na eleição de
1998 para governador de Brasília, que Cristóvam Buarque, mesmo as ruas e todos os
lugares públicos indicarem o contrário, perdeu a eleição. O que aconteceu naquela
eleição, cuja evidência indica que houve fraude casada entre pesquisas e urnas
eletrônicas parece se desenhar nesta eleição, pois parece evidente que as pesquisas
não revelam a realidade do tamanho do eleitorado disposto a votar no candidato em
epígrafe.

Continuo amanhã falando dos tipos de urnas existentes, sendo que o Brasil é o único
país do planeta que adota a urna eletrônica sem registro impresso de votos. O outro
país que adotava o mesmo tipo de urna era o Paraguai, todavia, deixou de utilizar por
falta de segurança e transparência na contagem de votos.

Manoel Pastana
Escritor e membro do Ministério Público Federal
Autor do livro autobiográfico De Faxineiro a Procurador da República







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