Eldorado do Sul, Guaíba e Região Carbonífera, 18 de Novembro de 2018. Página Inicial | Contato
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Edicão n° 185 de Novembro 2018


Quanto custa mudar de país?
05/07/2018

Diferente do que a esmagadora maioria pensa, acredita ou ouve falar não se sabe direito
onde, uma mudança de pais definitivamente não é uma receita pronta onde basta seguir
adicionando alguns elementos para dar certo. E não existe um valor exato e sim
necessário, porque um processo de imigração é traçado estrategicamente conforme as
características de cada solicitante. Mas sim, é preciso ter uma reserva de dinheiro.

Vamos usar os Estados Unidos como exemplo inicial. Se o requerente solicitar o visto
EB-5, além dos 500 mil dólares, é preciso dispor também de uma quantia que deverá
ser paga ao advogado e taxas administrativas, que varia em torno de 50 mil dólares.
Contabilize também o aluguel, outras despesas até efetivamente começar a trabalhar.
Podemos chegar facilmente a casa dos 600 mil.

Já o E2 e o L1, demandam um investimento em torno de 150 mil dólares. Tudo tem um
custo e é muito subjuntivo. Se alguém disser um valor fechado, afirmando que são
necessários exatos 50 mil dólares para se mudar, estará mentindo. Não existe um
numero, porque o lugar escolhido pode ser mais caro ou barato, outro fator que impacta
em todos os outros níveis.

O trabalho neste sentido é algo totalmente individualizado porque varia para cada
situação. Por exemplo, Jose e Manuel irão abrir uma padaria, em locais totalmente
distintos. Um vai solicitar o visto E2, porque é descendente de Italiano. Já o outro vem
de Portugal, que só e possível aplicar o L1. Um tem três filhos e o outro somente um. O
tipo de negocio é o mesmo, mas com vistos diferentes, e endereços comerciais também,
ou seja, são números que mudam muito por isso o certo é pensar de forma macro.

Mesmo citando todos esses cenários, a reunião sempre esbarra na pergunta clássica,
qual o mínimo para se mudar? Essa é sempre a preocupação inicial e, todas às vezes eu
corrijo: "pense no necessário, afinal, você não esta diante de uma feira de barganha e
sim de uma mudança de país e de vida, que envolvem novas atitudes onde
comportamentos antigos devem ser repensados.

Será preciso também se adaptar a uma série de novas regras, aliado a um planejamento
visando estruturar para preservar a família. Por isso, se deu aquela vontade de arrumar
as malas, primeiro converse com as pessoas que você ama, fale sobre os seus planos e
depois procure um especialista que possa oferecer todo o suporte necessário. Só ele vai
te programar para enfrentar uma série de situações.

O passo seguinte é traçar um plano de ação e cumpri-lo, de forma gradativa. Por ter
melhores condições, há quem consiga pular algumas etapas, já outros irão precisar de
mais tempo. Atendi clientes que demoraram três anos ate o dia da mudança definitiva,
conversava com eles a cada seis meses para ajustar algumas coisas e desenhar novas
etapas.

Há clientes que relatam histórias de pessoas que entram com o visto de turismo e
depois de um tempo arrumou emprego, conseguiu abrir empresa e por isso obteve a
permanecia. Ou quem entra no pais com visto de estudante e "foi levando". Isso é
querer acreditar demais em uma situação que fica agradável ao seu ouvido, mas que
esta longe do que é permitido. A realidade afasta do sonho, dá medo, mas ao mesmo
tempo é algo seguro porque faz com que as pessoas coloquem o pé no chão e analisem
a situação friamente.

Com base nos meus mais de dez anos neste mercado, posso afirmar que isso não dá
certo. Quem está se organizando desta forma, convido a pensar antes na família e nos
filhos. Sei que o Brasil está muito péssimo sem expectativas de melhoras, mas pior será
acordar com o DHS batendo a sua porta para prender todo mundo.

E todos esses cuidados servem em caso de mudança não só para os Estados Unidos mas
também para qualquer outra parte do mundo. Se a ideia é ir para Portugal, então
busque um profissional daquele pais que conhece o mercado e as leis. Ele vai orientar
sobre valores, documentações e as devidas inscrições nos órgãos.

Mas antes de qualquer mudança, é preciso entender o que é empreendedorismo, no
sentido de criar algo, do começo ao fim cuidando e revisando todos os detalhes. Em
muitos casos, não temos as melhores opções ou cartas na mão! Mas com estratégia,
orientação seguindo um planejamento de uma forma muito regrada, é possível ganhar o
jogo.

Daniel Toledo*

* Advogado especializado em direito internacional, sócio fundador da Loyalty Miami e
consultor de negócios.






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