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Edicão n° 184 de Outubro 2018


SBOC e AMB lançam alerta conjunto sobre comportamento de risco do brasileiro em relação ao cigarro
24/05/2018

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Associação Médica Brasileira (AMB) lançam um alerta nacional para um cenário preocupante no País: o mau comportamento de muitos brasileiros em relação ao risco representado pelo cigarro. Em celebração ao Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, as duas entidades se uniram para promover o conhecimento e mudança de atitude do brasileiro com respeito ao tabagismo, que possui relação com os tumores de pulmão, cavidade oral, laringe, esôfago, estômago, bexiga, colo do útero e leucemias.



Apesar das campanhas de conscientização para os danos causados pelo hábito terem gerado avanços no nível de conhecimento e atitude dos brasileiros, ainda há mitos e lacunas que continuam a habitar o imaginário popular. Um dos mais perigosos se refere a um suposto limite seguro de cigarros que poderiam ser consumidos sem acarretar risco de desenvolver câncer: 21% dos brasileiros acreditam nisso, em maior ou menor grau, de acordo com dados da pesquisa proprietária da SBOC “Os brasileiros e o câncer: entendimentos e atitudes”.



A crença equivocada vai na contramão de outros dados positivos identificados pelo levantamento. O cigarro é, por exemplo, o fator causador de câncer mais lembrado pelos brasileiros, sendo citado por nove em cada dez (93%). Um percentual similar da população (91%) também afirma que evitar o fumo é um passo importante a ser tomado para não desenvolver qualquer forma de câncer.



“Não há como negar que tivemos avanços significativos na conscientização da população quanto aos riscos que o tabaco traz ao organismo. Segundo os dados da pesquisa da SBOC, dos 30% que têm ou tiveram contato com cigarro, um pouco mais da metade (16%) já deixou de fumar. Entretanto, como o mito do limite seguro para o uso do tabaco mostra, há ainda muito espaço para melhoria. Dois dos principais centros do país, por exemplo, possuem uma taxa elevada de fumantes: cerca de um quarto dos habitantes de São Paulo (26%) e Rio de Janeiro (24%) mantém o hábito”, afirma Sergio D. Simon, Presidente da SBOC.



Outro sinal de alerta se refere à quantidade de cigarros que os brasileiros consomem diariamente. Dos 30% que afirmaram já ter tido contato direto com o fumo – sejam ex-fumantes ou fumantes –, mais da metade (54%) consome entre dez cigarros e mais de dois maços por dia. Além disso, seis em cada dez brasileiros que fumam ou já fumaram mantêm o hábito entre 10 e mais de 30 anos.



“O tabagismo é a principal causa de mortes evitáveis no mundo e tem uma relação especial com o câncer, sendo responsável por cerca 30% dos falecimentos relacionados à doença. Os danos causados pelo tabaco são cumulativos, logo, o contato prolongado com a substância é extremamente prejudicial à saúde – ainda mais em quantidades significativas. Fumantes têm 20 vezes mais chances de desenvolver a doença no pulmão, dez vezes mais na laringe e de duas a cinco vezes mais no esôfago. O tema foi amplamente abordado em reunião de fevereiro/2018 do Conselho Científico da AMB e retratado no último Jornal da AMB (JAMB), para levar informações aos associados, disponibilizando em seu site as apresentações realizadas no encontro”, ressalta Lincoln Lopes Ferreira, Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).



Para piorar a situação, os brasileiros que ainda fumam tendem a manter outros comportamentos prejudiciais acima da média do restante da população. Segundo a pesquisa proprietária da SBOC, um em cada três fumantes (32%) não realiza qualquer exame preventivo (a média nacional é 24%) e 10% não se preocupam com produtos ou situações que podem favorecer o surgimento de um câncer – dobro da média nacional, que é 5%. Além disso, quem é fumante acredita muito menos na cura da doença: 32% contra a média de 20% dos brasileiros como um todo.



“É extremamente preocupante ver que os fumantes, uma parte da população que se expõe muito ao risco de desenvolver câncer, se preocupam tão pouco em fazer exames, o que aumenta muito as chances de um diagnóstico tardio. E o fato desses brasileiros não acreditarem na cura da doença também liga o alerta vermelho, por poder gerar um comportamento contrário aos tratamentos – que, segundo suas crenças, não trariam resultado. É essencial que redobremos nossos esforços de conscientização para que a população que ainda fuma entenda a extensão dos riscos corridos toda vez que um cigarro é colocado na boca e compreenda a importância dos exames preventivos para o diagnóstico precoce, que melhora muito as chances de cura”, alerta Sergio D. Simon.






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