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Edicão n° 184 de Outubro 2018


Rim, esse esquecido
01/11/2017

Quem tem mais de 40 anos provavelmente já fez pelo menos uma visita ao
cardiologista. Quem leva uma vida estressante e está acima do peso possivelmente já
começou essas visitas antes mesmo dessa idade. A ampla divulgação da prevenção de
doenças cardíacas tem contribuído muito para o aumento da longevidade dos brasileiros.
A nossa expectativa de vida subiu de 62,5 anos em 1980 para 75 anos em 2016, o que
é um resultado intermediário na avaliação da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Estamos numa posição superior, por exemplo, a países como Paraguai e Bolívia; mas
atrás de Uruguai, Chile e Cuba. Em países como Japão e Suíça essa idade está em 83
anos.

Infelizmente o mesmo cuidado e atenção com o coração não se observam em relação
aos rins. Muitas vezes quando o paciente descobre uma doença renal já desenvolveu um
quadro crônico, e haverá necessidade de transplante e tratamentos que substituem a
função dos rins, como a hemodiálise e a diálise peritoneal.

Como se trata de uma doença silenciosa é difícil estabelecer um protocolo de sintomas
que identifiquem o início de uma doença renal. A prevenção nesse caso passa
principalmente por evitar outras doenças que estão associadas com a doença renal,
como a hipertensão, o diabetes e a obesidade.

Voltando aos rins; o que os maiores especialistas no assunto buscam é a incorporação
por outros especialistas de rotinas de avaliação da função renal: a mensuração da
creatinina e da ureia ao exame de sangue dos pacientes, e a realização de um EAS, que
é um exame simples de urina. Assim, o nefrologista poderia ser rapidamente acionado e
a doença renal crônica evitada.

É nosso dever usar todos os espaços para alertar a população dos cuidados com esse
órgão que – assim como o coração - tem uma missão fundamental para a manutenção
da vida: é o rim que filtra todo o nosso sangue diariamente e elimina as toxinas do
nosso corpo. Quando ele para de funcionar, é preciso conectar a pessoa a uma máquina
pelo menos três vezes semana, em sessões de 4 horas, no caso da hemodiálise.

No Brasil cerca de 111 mil pacientes fazem diálise e a estimativa é que mais de 30 mil
novas pessoas passem a precisar do tratamento todos os anos. Essa deveria ser uma
terapia transitória. O resultado dessa conta complexa é que 20 mil pacientes em diálise
morrem por ano.
As clínicas que oferecem o tratamento – 68% delas concentradas no Sul e Sudeste do
país - são 70% privadas, embora a maioria seja custeada pelo Sistema Único de Saúde,
e estão com taxa de ocupação de 85%, de acordo com o último censo da Sociedade
Brasileira de Nefrologia.

É fato que o tratamento vem evoluindo ao longo dos anos e a chegada de novas terapias
como a hemodiafiltração de alto volume representa um alento. A terapia acaba de ser
trazida da Europa para o Brasil e já está atendendo 1% dos pacientes crônicos com
ótimos resultados para o bem-estar geral do paciente. Mas ao pensar na equação entre
qualidade de vida e longevidade a medicina preventiva tem se mostrado como a melhor
prática.

Dê atenção ao seu rim. Ele pode estar carente de cuidados.

Por Ana Beatriz Barra*

(*) Nefrologista, gerente médica da Fresenius Medical Care






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