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Edicão n° 185 de Novembro 2018


Os três "E"s do século 21
06/10/2017

Não é novidade que o mundo está caminhando para uma era de maiores desigualdades
sociais, colapsos econômicos e disrupções em praticamente 90% das indústrias e
negócios que conhecemos. Dados recentes demonstram que, ao menos dos Estados
Unidos, mais de 65% dos americanos, nos próximos anos, irão perder seus empregos e
terão de migrar para os chamados "servicos freelancers". Mas e no Brasil, o que
podemos esperar dessa reviravolta do século 21?

Uma das forças inevitáveis dessas mudanças é a tecnologia aliada a inteligência artificial
e a mecanização avançada de praticamente todas as atividades repetitivas e mecânicas
desenvolvidas pelo homem. Afinal, um robô pode fazer muito mais e melhor, com menos
custo, do que um ser humano. Pode ser cruel, mas é efetivo. E o mercado busca
efetividade!

A grande questão surge quando começamos a analisar o impacto dessas mudanças no
meio social. A desigualdade ficou escancarada no mais recente estudo feito no Brasil,
onde os 6 brasileiros mais ricos concentram a renda dos 100 milhões mais pobres… um
choque óbvio! Mas um choque…

Porém, quando você, trabalhador, que está endividado, com bancos participando
ativamente do seu orçamento, com a inflação corroendo seu poder de compra, com
aumentos recorrentes (desde alimentos a combustíveis), que caminho seguir em um
mundo onde o dinheiro está escasso, o desemprego bate a sua porta e o mercado está
tão disperso quanto todas as inovações que vemos dia a dia?

Minha teoria está na base de aplicação (ou da falência) dos 3 "es" do século 21:
Emprego, Empregabilidade e Empreendedorismo. Explico.

Toda economia de mercado baseia-se fundamentalmente nessa estrutura. Não estou
falando dos teóricos econômicos nem acadêmicos. Estou falando do mundo real. Afinal,
uma economia sem empregos, sem empregabilidade e sem empreendedores, vai
invariavelmente sucumbir.

O primeiro "E" de emprego, retrata o que estamos ficando "sem". O termo significa o
trabalho que precisa ser feito mediante remuneração e subordinação de uma pessoa a
outra. A nova economia caminha a passos largos para uma onda de desemprego jamais
vista, que vai obrigar governos a criarem mecanismos de suporte social nunca antes
imaginados para tantos desempregados. Hoje já somos 14 milhões deles!

O segundo "E" trata da empregabilidade. A empregabilidade é aquilo que possibilita que
eu tenha aptidões ou capacidades relevantes para que eu possa atuar em diversas
frentes, ou ser "desejado" pelo mercado como profissional. Assim, uma pessoa
empregável, dificilmente fica sem emprego. Ser qualificado para tanto nos parece o
maior desafio afinal.

Já o terceiro e último "E" do empreendedorismo, fecha o ciclo: é aquela iniciativa que
cria oportunidades baseadas nas carências ou deficiências do mercado, e
consequentemente busca pessoas empregáveis para os empregos criados pela iniciativa
empreendedora. Percebem o ciclo?

Contudo, como estamos enfrentando essa crise institucional de empregos, estamos com
muitos trabalhadores que não estão sendo "empregaveis" para o mercado, justamente
em função das iniciativas empreendedoras que, por sua vez, estão criando um mercado
cada vez mais exigente de profissionais que sejam interessantes, e não meramente
executores.

No mundo do século 21, ser empregável significa não ter apenas uma formação em uma
área do conhecimento. Significa sim, ser multifuncional, conectado, atualizado, humano
e eficiente. Significa voltar para a escola, mas não aquela que conhecemos e fomos
formados, mas sim uma nova escola, que vem sendo criada por empreendedores! Mas
para isso os trabalhadores precisam de iniciativas que possibilitem a eles se re-
capacitarem a cada novo ciclo, para então retornarem ao mercado e assim manter a
roda da fortuna girando.

As diferenças sociais tendem a ficar cada vez mais gritantes e escancaradas com as
tecnologias. Afinal, quanto mais eficientes, mais iremos perceber o quanto somos
injustos e focados em manter um sistema de trocas baseado no seculo 19. Afinal, gerar
empregos parece ter se tornado coisa do passado, ja que, para um mercado altamente
informatizado, os "empregaveis" teriam seu caminho certo, e os empreendedores vão
investir cada vez mais em soluções que necessitem mais e mais de empregáveis.

Nos resta saber se, na ponta final dos resultados, os "não empregaveis" terão sua
chance de se "empregabilizar" ou se deverão se sujeitar unicamente a uma distribuição
de renda universal mínima, mais conhecido dos brazucas como bolsa-família. Em qual
dos "E"s você está agora?

Vinicius Carneiro Maximiliano *
* Advogado corporativo e gestor contábil. Com MBA em Direito Empresarial pela FGV e
especialista em Direito Eletrônico pela PUC/MG, atuou como advogado de Propriedade
Intelectual no Brasil para a Motion Picture Association (MPA), Associação de Defesa da
Propriedade Intelectual (ADEPI) e também para a União Brasileira de Video (UBV).






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